segunda-feira, 4 de julho de 2016

Prática social e ação educativa segundo J.C. Paula Carvalho


Adilson Marques - pós-doutorando na Linha de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos, na UFSCar, e professor visitante na mesma instituição

Em sua tese de livre-docência que se transformou no livro Antropologia das Organizações e Educação: um ensaio holonômico, publicado em 1990 pela editora Imago, o professor José Carlos de Paula Carvalho, apresenta uma instigante abordagem sobre prática social e ação educativa.
Compreendendo que, de forma geral, há uma polarização paradigmática que pode ser esquematicamente exposta através da distinção entre o paradigma clássico e o holonômico, com o primeiro instituindo as "hermenêuticas redutivas" e o segundo as "hermenêuticas instaurativas", tal polarização também alcança as organizações, sobretudo, as educativas, que vão pautar sua práxis através de um ou outro modelo. Assim, de um lado, teríamos aquelas que se pautam pela razão técnica/paradigma clássico/racionalidade técnica/modelo entrópico de organização/imaginário sistematizado/enfoque macro-estrutural/paradigma da consciência coletiva/paradigma do indivíduo-Estado/cotidianidade banalizada e, do outro lado, as que se pautam pela razão aberta/paradigma holonômico/razão cultural/modelo neg-entrópico de organização/imaginário/enfoque micro-estrutural/paradigma do ator-agente/paradigma da pessoa-comunidade/cotidianidade oximorônica.
Ao optar em trabalhar a partir do segundo paradigma, o holonômico, alguns pressupostos vão permear sua interpretação, entre elas, a função simbólica ou o imaginário como estruturante da práxis; a questão da diversidade cultural e o acolhimento do pluralismo dos "mapas de realidade" ou das mentalidades; e a pedagogia da escuta, que a partir de uma abordagem fenomenológica-comprensiva elabora a questão da alteridade.  
Dentro dessa perspectiva, as práticas sociais são pensadas por Paula Carvalho como práticas simbólicas e, portanto, como organizacionais e educativas. Assim, a função simbólica institui as dinâmicas educativas e a práxis dos grupos sociais. Ou seja, a ação dos grupos sociais é sempre mediada por diversas práticas simbólicas que garantem a inteligibilidade e o sentido do "mundo" para o mesmo. E suas ações educativas vão se nortear por uma ou outra tipicalidade (paradigma). No primeiro caso, como reprodução/linguagem sistemática/razão técnica/burocratização da vida social/modelo entrópico de organização/heterogestão etc. e, no segundo caso, transformação/linguagem do símbolo/razão cultural/pluralismo social e de valores/modelo neg-entrópico de organização/autogestão etc.
Em outras palavras, a práxis social é cultura que, por sua vez, é um epifenômeno do imaginário. Daí, como afirma Castoriadis e Morin, citados por Paula Carvalho: "a sociedade é muito mais manipulada por seus mitos do que os pode manipular. O imaginário está no âmago ativo e organizacional da realidade social e política. E quando, por seus traços informáticos, o imaginário se torna generativo, será então capaz de programar o 'real' e, em se neg-entropizando de modo práxico, torna-se o real".


São Carlos, dia 04 de julho de 2016 - dia de Santa Isabel, que se tornou rainha em Portugal ao se casar com o rei Diniz, mas que se transformou em clarissa, atuando caridosamente junto à sociedade dentro dos princípios franciscanos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário