Adilson Marques - pós-doutorando na Linha de Pesquisa
Práticas Sociais e Processos Educativos, na UFSCar, e professor visitante na
mesma instituição
Em sua tese de livre-docência que
se transformou no livro Antropologia das Organizações e Educação: um ensaio
holonômico, publicado em 1990 pela editora Imago, o professor José Carlos de
Paula Carvalho, apresenta uma instigante abordagem sobre prática social e ação
educativa.
Compreendendo que, de forma
geral, há uma polarização paradigmática que pode ser esquematicamente exposta através
da distinção entre o paradigma clássico e o holonômico, com o primeiro instituindo
as "hermenêuticas redutivas" e o segundo as "hermenêuticas instaurativas",
tal polarização também alcança as organizações, sobretudo, as educativas, que
vão pautar sua práxis através de um
ou outro modelo. Assim, de um lado, teríamos aquelas que se pautam pela razão
técnica/paradigma clássico/racionalidade técnica/modelo entrópico de
organização/imaginário sistematizado/enfoque macro-estrutural/paradigma da
consciência coletiva/paradigma do indivíduo-Estado/cotidianidade banalizada e,
do outro lado, as que se pautam pela razão aberta/paradigma holonômico/razão cultural/modelo
neg-entrópico de organização/imaginário/enfoque micro-estrutural/paradigma do
ator-agente/paradigma da pessoa-comunidade/cotidianidade oximorônica.
Ao optar em trabalhar a partir do
segundo paradigma, o holonômico, alguns pressupostos vão permear sua interpretação,
entre elas, a função simbólica ou o imaginário como estruturante da práxis; a questão da diversidade
cultural e o acolhimento do pluralismo dos "mapas de realidade" ou
das mentalidades; e a pedagogia da escuta, que a partir de uma abordagem
fenomenológica-comprensiva elabora a questão da alteridade.
Dentro dessa perspectiva, as práticas
sociais são pensadas por Paula Carvalho como práticas simbólicas e, portanto,
como organizacionais e educativas. Assim, a função simbólica institui as
dinâmicas educativas e a práxis dos grupos
sociais. Ou seja, a ação dos grupos
sociais é sempre mediada por diversas práticas simbólicas que garantem a
inteligibilidade e o sentido do "mundo" para o mesmo. E suas ações educativas
vão se nortear por uma ou outra tipicalidade (paradigma). No primeiro caso,
como reprodução/linguagem sistemática/razão técnica/burocratização da vida
social/modelo entrópico de organização/heterogestão etc. e, no segundo caso,
transformação/linguagem do símbolo/razão cultural/pluralismo social e de
valores/modelo neg-entrópico de organização/autogestão etc.
Em outras palavras, a práxis social é cultura que, por sua
vez, é um epifenômeno do imaginário. Daí, como afirma Castoriadis e Morin,
citados por Paula Carvalho: "a sociedade é muito mais manipulada por seus
mitos do que os pode manipular. O imaginário está no âmago ativo e
organizacional da realidade social e política. E quando, por seus traços
informáticos, o imaginário se torna generativo, será então capaz de programar o
'real' e, em se neg-entropizando de modo práxico,
torna-se o real".
São Carlos, dia 04 de julho de
2016 - dia de Santa Isabel, que se tornou rainha em Portugal ao se casar com o
rei Diniz, mas que se transformou em clarissa, atuando caridosamente junto à
sociedade dentro dos princípios franciscanos.

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